Categoria: Política

  • URGENTE: terceirização vai a voto em plenário do Senado

    URGENTE: terceirização vai a voto em plenário do Senado

    O Colégio de líderes do Senado Federal ameaça votar o PLC 30 da terceirização em regime de urgência. Dessa forma, promete levar o projeto diretamente a votação em plenário.

    Com esse golpe, os senadores abortam a tramitação regular do projeto, que deveria passar pelas comissões, como prevê o regimento do Senado.

    Diante desse cenário, os trabalhadores e a sociedade deve se preparar para um combate imediato, inclusive na pressão sobre os senadores em Brasília e em seus estados de origem nos próximos dias.

    A Intersindical e demais organizações que compõem o Fórum dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização se reúnem na terça-feira para traçar as estratégias de enfrentamento a esse terrível ataque.  

    “Esse golpe do senado reforça ainda mais a necessidade de uma ampla mobilização nas manifestações previstas para o dia 20 de agosto, que ganham ainda mais importância no momento contra a ofensiva da direita, o ajuste fiscal e a chamada “Agenda Brasil”, que deveria ser chamada de “Agenda Destrói o Brasil”.   

    Para entender melhor os ataques da terceirização.

    Querem estourar a bomba da “pauta boa” no colo dos Trabalhadores

    Renan chamou de “pauta boa” um conjunto de propostas apresentadas que traz em um de seus itens, a aceleração da tramitação do PLC 30/15 (PL 4330), o projeto que libera geral a terceirização no país, considerado uma verdadeira bomba que pode estourar no colo de toda a sociedade.

    O projeto disfarçado de uma proposta que regulamenta a terceirização no país, na verdade amplia a terceirização para todas as atividades e significa um retrocesso, pois retira direitos conquistados na CLT e ofende a Constituição Federal. A aprovação do PLC 30/15, é considerada por muitos especialistas como uma reforma trabalhista às avessas e praticamente impõe o fim da CLT.

    Este projeto é oriundo da Câmara Federal e foi votado sem qualquer discussão com a Sociedade, pois o presidente da Câmara Eduardo Cunha-PMDB/RJ, atropelou o regimento com suas conhecidas manobras, atendendo aos interesses dos empresários financiadores de sua campanha eleitoral e da maioria dos parlamentares. Os deputados federais que votaram pela aprovação do PL 4330 na Câmara e hoje tramitando como PLC 30/15 no Senado, não tinham conhecimento sobre o texto e votaram pela aprovação, atendendo interesses exclusivos de seus financiadores de campanha, quitando essa fatura com moeda lastreada nos direitos dos Trabalhadores.

    Todos os estudos sobre a terceirização apontam gravíssimos problemas no dia a dia dos Trabalhadores terceirizados, pois evidenciam em relação aos Trabalhadores não terceirizados maior índice de acidentes de trabalho, menor remuneração, direitos inferiores, segregação, calotes e incentivo ao trabalho em condições análogo ao escravo, porém a força do poder econômico conseguiu aprovar o projeto na câmara

    Leia mais:
    → Manifesto: dia 20 de agosto – Tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia!
    → Senado prepara extermínio de direitos e mais privatizações
    → Câmara dos Deputados inicia semana com pauta bomba

  • Reforma Política e Comunicação – desafios ao Movimento Sindical

    Reforma Política e Comunicação – desafios ao Movimento Sindical

    Lula foi eleito presidente da República em 2002, período em que a capacidade de mobilização e luta da classe operária e dos movimentos sociais estava em seu pior nível. De 1945 a 1964, tivemos um período de ascenso dos movimentos de massa e de organização da classe trabalhadora  que foi para a ofensiva, e construiu um projeto alternativo. Preocupada com uma derrota histórica, a classe dos capitalistas, se uniu com os militares e o capital estrangeiro dominado pelos Estados Unidos, e deram um golpe militar em 1964, para derrotar o projeto das reformas de base da classe trabalhadora brasileira. As reformas que Jango pretendia realizar teriam alterado profundamente a estrutura social e econômica no Brasil. Reforma agrária, educação pública de qualidade, desenvolvimento econômico com soberania. Daí resultou um longo período de derrota da classe e de refluxo das mobilizações que foi de 1964 a 1978.

    Para analisar o caráter da elite brasileira, é necessário recordar Florestan Fernandes (1920-1995), um dos mais importantes cientistas sociais do Brasil, autor de estudos clássicos sobre a relação entre capitalismo, democracia e luta de classes no Brasil e que foi deputado constituinte, eleito em 1986, e reeleito para a Câmara dos Deputados em 1990, sempre pelo PT. Para Florestan, o Brasil é um exemplo de capitalismo dependente, ou seja, é produto de uma situação histórica em que o destino da sociedade fica submetido aos desígnios de burguesias que são incapazes de conciliar desenvolvimento econômico, soberania nacional e democracia.

    A burguesia do capitalismo dependente é impotente para enfrentar o imperialismo e, internamente ao Brasil, onipotente para manipular as condições sociais, de trabalho e ambientais. Por ser impotente de um lado é que ela precisa ser onipotente de outro. A burguesia não sabe inovar, mas sabe mandar. Consolida-se como elite no Brasil num momento em que o capitalismo global já está dominado por poucas e gigantescas corporações transnacionais. Por isso, sem força diante destas empresas, a burguesia no Brasil faz opção por aliar-se subordinadamente a estes grupos e contra os interesses do povo, assumindo caráter anti-nacional, anti-social e anti-democrático.

    A partir de 1978 a classe trabalhadora retoma as mobilizações e foi reconstruindo a unidade da classe em torno de um projeto democrático-popular. Reconstruíram-se as organizações sindicais combativas, a CUT, os movimentos sociais, o MST, a Central de Movimentos Populares (CMP), etc. Tudo isso foi acumulando forças, até que nas eleições de 1989, disputamos um projeto de sociedade com os capitalistas, mas formos derrotados, na eleição em que o Lula era o porta-voz desse projeto.

    A elite no Brasil tem um caráter de antecipação muito acentuado. Por isso, conduziu o golpe de 1964, para antecipar-se às reformas de Jango, e conduziu a “abertura lenta, gradual e segura” que marcaria o fim da ditadura. O grande embate no início da década de 1980 foi entre esta “abertura” dirigida pela elite e o amplo movimento popular pelas “Diretas Já!”, que organizou comícios com milhões de pessoas em todo o Brasil entre 1983 e 1984, ano em que a reivindicação por eleições diretas para presidente foi derrotada no Congresso Federal.

    Mas a campanha pelas “Diretas Já!”, mesmo derrotada, acumulou e aglutinou muita força popular. Tanta força que impulsionou reformas importantes inseridas na Constituição Federal promulgada em outubro de 1988 e levou Lula a quase ser eleito presidente da República em 1989, quando foi derrotado por pequena margem de votos pelo Fernando Collor.

    A Constituição de 1988 também deve ser analisada pela derrotas da classe trabalhadora. Não conseguimos sustentar os itens que garantiriam reforma agrária, não conquistamos a redução de jornada para 40 horas, nem mecanismos que garantissem estabilidade no emprego contra a rotatividade. Por isso, a bancada de deputados constituintes do PT, que incluía Florestan e Lula, votou contra o texto final da constituição. Depois tivemos mais uma derrota significativa da classe, no campo sindical, com a derrota da greve nacional dos petroleiros, que foi massacrada pelos tanques na rua, lá colocados pelo governo FHC. Tudo isso produziu um refluxo no movimento de massas, que perdura até os dias de hoje.

    Em 2002, o povo brasileiro elegeu Lula. Mas a vitória eleitoral foi insuficiente para a retomada da iniciativa da classe trabalhadora. Por isso, tivemos apenas um governo de composição de classes, composto por 14 partidos políticos, muitos da própria burguesia, e a classe trabalhadora não conseguiu ter um governo popular.

    As manifestações de junho de 2013 são uma retomada da luta de massas, após o profundo descenso da década de 1980. A ofensiva neoliberal representou uma derrota mundial para a classe trabalhadora e, no Brasil, desmontou os 50 anos anteriores de desenvolvimento nacional, impulsionado pelo Estado. Os anos 2000 esboçaram propostas eleitorais contra o neoliberalismo que, em aliança com setores da burguesia interna, deram início ao “neodesenvolvimentismo”, gerando muitas contradições. A principal fagulha para o crescimento das mobilizações foi a solidariedade decorrente da repressão policial nas ruas.

    A constituinte exclusiva para a reforma política é uma bandeira que mexe com o sistema de dominação político-burguesa. A juventude que foi às ruas manifestou insatisfação com o sistema político e aqui está o elo com as bandeiras do movimento sindical. A esquerda não pode vacilar, é momento de construção de unidade entre os movimentos de juventude e os sindicatos, em torno da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

    Estamos ainda vivendo um tempo histórico que foi resultado de um período de refluxo do movimento de massas, tempos de resistência, em que a classe trabalhadora está se reaglutinando e reconstruindo um projeto de unidade da classe, mas sem ter forças suficientes para retomar a ofensiva contra o  capital, e realizar  grandes mobilizações de massa  em torno de um projeto alternativo.

    Em síntese, os governos Lula e Dilma cometeram quatro graves erros, que precisam ser debatidos, analisados em profundidade, para que destes e tirem lições para as próximas lutas:

    1. Lula e Dilma não utilizaram o Governo para organizar e conscientizar politicamente as massas, para torná-las base de sustentação das melhorias das condições de vida que foram implementadas a partir de 2003 e impulsionadoras das reformas estruturais que o País necessita. Por isso, há pesquisas que mostram que muitos jovens pobres que conseguiram entrar na Faculdade graças ao PROUNI são contra o programa Mais Médicos. E vice-versa.
    2. Lula e Dilma não construíram estratégia de enfrentamento das amarras que a burguesia mantém no Estado brasileiro (economia centrada no pagamento de juros para os muito ricos, Poder Judiciário contra as demandas do povo) e na mídia capitalista (Globo, Bandeirantes, SBT, Rede TV, etc).
    3. Lamentável ingenuidade ao usar e abusar do financiamento empresarial de campanhas eleitorais, em todos os níveis, de vereador a Presidente da República. Caixa 2 generalizado foi o que levou ao mal-chamado “mensalão” e a crise ética que abala hoje o PT, após ter permitido à direita abater e inviabilizar politicamente lideranças fundamentais do Partido, como José Dirceu.
    4. Ausência de estratégia de ação e de políticas específicas para os setores médios da sociedade. Isso prejudicou muito a relação do governo, especialmente do governo Dilma, com as categorias profissionais de mais elevada renda, como setores dos metalúrgicos, dos químicos e dos bancários, agravando o distanciamento da Presidente em relação ao Movimento Sindical.

    Em relação à luta pela democratização da comunicação, não adiante ficar criticando a Globo, a Bandeirantes, porque atacam os sindicatos, o PT, a Dilma. Estas empresas estão cumprindo seu papel, fazendo o que se espera delas. Não leva a nada acusarmos o inimigo de estar agindo como inimigo. É preciso criar, fortalecer e difundir a comunicação dos sindicatos, do movimento social. São instrumentos de formação política, que é a síntese do conhecimento histórico, de como se move a sociedade, de como acontece a luta de classes. É a democratização do conhecimento entre a militância, a base social e a população em geral. Sem conhecimento, ninguém acumula forças. E a formação política pode acontecer de muitas formas. Desde seminários, cursos intensivos, debates, assim como através de meios de comunicação próprios. Por isso que a classe trabalhadora precisa ter seus boletins, jornais, programas de radio, e de televisão: para usar esses instrumentos de comunicação de massa, como formas de fazer formação política para as massas.

    O ponto fraco do cerco que a direita está montando contra o governo e contra os sindicatos é o sistema político. O povo brasileiro quer mais participação política e nós, da esquerda, do movimento popular e sindical, temos isso a oferecer, através da campanha pela Constituinte. A participação forte dos Sindicatos na campanha motiva outros movimentos a virem junto e reforça a necessidade de alterações no sistema político para garantir ampliação de direitos sociais e trabalhistas”. Reforça-se aqui a tática da transformação proposta por Florestan Fernandes: “contra a intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres.”

    A Iniciativa Popular de Lei pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (que ganhou na Câmara dos Deputados a forma do PL 6316, de 2013, assinado por 125 parlamentares) está tramitando em conjunto com outros 42 Projetos de Lei que abordam os mesmos temas. A vinda da Coalizão à Câmara dos Deputados, trazendo cerca de 630.089 assinaturas físicas e 94.285 eletrônicas, não interessou à maioria dos parlamentares e não repercutiu nos debates do Plenário. O número de assinaturas recolhidas é significativo, mas é necessária mais intensa mobilização, de forma a atingir a meta de um milhão de assinaturas antes do final da tramitação dessas proposições. Assim, o Projeto de Reforma Política Democrática ganhará força dentro do Parlamento. A proposta da Coalizão Democrática é a mais bem feita (inclusive juridicamente) para conquistarmos uma transformação do sistema político e eleitoral brasileiro, livrando-o da captura pelo poder econômico e possibilitando que as maiorias sociais se tornem maiorias políticas.

    A classe trabalhadora exerce sua força política na sociedade e perante os capitalistas quando tem forças  de mobilizar grandes  contingentes e ir para a rua, fazer greves, mobilizações. Nossa força está no número de pessoas que conseguirmos mobilizar em torno de propostas e projetos. Uma decisão de parar a produção na indústria química tem forte impacto na economia nacional. Por isso, os Químicos do ABC estão em lugar decisivo nesta quadra da História.

    (Texto elaborado como subsídio aos delegados/as ao 12º. Congresso dos Químicos do ABC a partir da contribuição de Ricardo Gebrim, advogado, membro da coordenação nacional da campanha pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político e do conselho editorial do Jornal Brasil de Fato e ex-presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo, em palestra realizada no auditório do Sindicato dos Químicos do ABC no dia 8 de junho de 2015)

    thomaz dieese Thomaz Ferreira Jensen | economista, assessor técnico do DIEESE

  • TCE culpa governo de São Paulo por crise hídrica.  Carlos Giannazi (PSOL/SP) já tinha feito a denúncia

    TCE culpa governo de São Paulo por crise hídrica. Carlos Giannazi (PSOL/SP) já tinha feito a denúncia

    TCE – Tribunal de Contas do Estado confirma denúncia de Carlos Giannazi – feita no ano passado – sobre a responsabilidade do governo de São Paulo pela crise hídrica.

    Giannazi

    Deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL/SP)

    Leia a matéria do Estadão publicada no dia (11/08), e o artigo de Giannazi publicado na Folha de SP, em 24 de fevereiro, com o título “O colapso da água e crime de lesa humanidade”.
    –
    *** ESTADÃO – TCE culpa governo de São Paulo por crise hídrica
    –
    http://sao-paulo.estadao.com.br/…/geral,tce-culpa-governo-d…

    *** FOLHA DE S. PAULO – Artigo Carlos Giannazi: Colapso da água é crime de lesa humanidade

    Colapso da água é crime e lesa humanidade

    O colapso do abastecimento de água que atinge a região metropolitana de São Paulo e várias cidades do estado não pode ser atribuído –como vocifera o governo estadual– apenas à estiagem atípica e mudanças climáticas que afetam São Paulo.

    É fruto, sobretudo, da irresponsabilidade e improbidade administrativa, da falta de gestão e planejamento e da incúria do (des) governo tucano, que há mais de dez anos foi alertado sobre o esgotamento do modelo hídrico, como também nenhuma medida tomou a fim de oferecer o mínimo de segurança hídrica à população.

    Em 2004, quando da outorga do Cantareira, a Sabesp teria que, no prazo de três meses, apresentar uma proposta de construção de novos reservatórios e captação de águas em outros mananciais. Estava no contrato.

    Porém, as obras não foram realizadas e nem cobradas pelo governo. Em 2009 a Secretaria Estadual do Meio Ambiente realizou o estudo Cenários Ambientais 2020 com a colaboração de 200 especialistas em que previu com dados científicos a crise de 2015 e outra em 2018.

    Esses são dois dos muitos alertas feitos sobre os desafios do abastecimento de água para os paulistas. As gestões do PSDB –partido que (des) governa o Estado de São Paulo há 20 anos– transformaram a água em mercadoria através da conversão da Sabesp numa empresa preocupada apenas em vender água e obter altos lucros, sobretudo para entregá-los aos especuladores da bolsa de Nova York.

    Tudo em detrimento de mais investimento no combate ao desperdício que a própria empresa produz ao não trocar a sucateada e velha tubulação da rede, que produz vazamentos na ordem de mais de 30% da água tratada; ao controle do uso da água pelo agronegócio e a indústria –esses sim os setores que mais consomem água, cerca de 90%–; estímulo ao reúso e aproveitamento da água da chuva e investimento na proteção dos mananciais, entre outros.

    Não podemos admitir que o governo tente criminalizar a natureza ou São Pedro pela situação de calamidade pública que já estamos vivendo. Como se não bastasse, numa irresponsabilidade sem fim, o governador Geraldo Alckmin, durante a campanha eleitoral em 2014, para se reeleger, penhorou a água de São Paulo dando declarações fraudulentas à população sobre a gravidade da situação.

    Não tomou as medidas preventivas e empurrou mais de 20 milhões de pessoas para a beira do precipício social e ambiental, onde o pior esta por vir, pois milhões de pessoas já sentem os efeitos perversos da omissão criminosa do executivo estadual: aumento da dengue, aumento do preço da água mineral, falta de água para hemodiálise, estoque irregular de água, prejuízos em restaurantes e o abalo emocional de milhões de pessoas.

    Mesmo com esse cenário tenebroso, Alckmin, preocupado apenas com a sua imagem perante a opinião pública, não toma medidas e muito menos vem a público, com transparência e honestidade, assumir o seu gravíssimo erro e dizer o que realmente teremos que sofrer.

    O governador tem de ser punido por esse crime de lesa humanidade, pois a água é um direitofundamental para a existência da humanidade. Diante disso, protocolei no Ministério Público Estadual uma representação pedindo que Alckmin seja imputado por crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Se o mesmo não cuidou e foi leviano com a água, podemos imaginar o que não anda aprontando em outras áreas essências como Educação, Saúde e Segurança Pública.

     

    CARLOS GIANNAZI, doutor em história e mestre em educação pela USP, é deputado Estadual pelo PSOL

    Publicado na Folha de São Paulo 24/02/2015

  • Comissionados, Sanasa e agora mais dinheiro para as empresas de transporte de Campinas. Isso é justo?

    Comissionados, Sanasa e agora mais dinheiro para as empresas de transporte de Campinas. Isso é justo?

    A notinha saiu hoje no Correio Popular. O senhor #JonasFake é mesmo muito bonzinho com esses empresários. Como eles tiveram aumento nos custos da operação do sistema o prefeito vai colocar nessas empresas mais do nosso dinheiro para que o lucro deles, não seja prejudicado. Espera aí? Toda empresa da cidade que encara esta crise está recebendo ajuda do Jonas Donizette? Claro que não. Só quem interessa ao jogo político dele.

    Pergunta para cidadão que usa o transporte se ele está satisfeito com a qualidade e prestação do serviço? Em março Jonas já fez graça para os empresários do transporte e nada de melhorias -De acordo com publicação do Diário Oficial de segunda-feira (02/03/2015), o valor, que deveria ser de R$ 12 milhões, passou para R$ 30 milhões – um aumento de 150%. A redução do subsídio era uma promessa de Jonas quando, no início do ano, a tarifa de ônibus passou de R$ 3,30 para R$ 3,50. Mas como o Jonas é Fake e engana à população, nada de redução. Vale ressaltar que a tarifa do ônibus aumento duas vezes em menos de seis meses. –

    Temos de divulgar mais essa estratégia eleitoreira de Jonas Donizette (PSB). Chega, basta a população está acuada em meio à crise financeira e a prefeitura de Campinas esbanjando para quem não deve. E a educação, construção de mais creches, melhoria na saúde onde temos centros ancorados com vigas, cadê?

  • Programa de Proteção ao Emprego permite a empresas chantagear trabalhador

    O governo federal editou a Medida Provisória 680 que permite redução de salário em até 30% com redução proporcional da jornada de trabalho. Pela proposta, chamada de Programa de Proteção ao Emprego (PPE) recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) serão utilizados para complementar metade da perda salarial.

    A MP, segundo o governo, se destina a preservar empregos nos setores em crise e precisa ser aprovada pelos trabalhadores em assembleia. A MP foi assinada pela presidente Dilma na presença de empresários e dirigentes da Força Sindical e CUT, que defenderam a medida.

    A medida não resolve o problema do desemprego e acaba por colocar os trabalhadores e o movimento sindical à mercê de chantagem empresarial para que aceitem redução dos salários.

    Cabe lembrar, também, que outros mecanismos prejudiciais aos trabalhadores vêm sendo largamente utilizados e os empregos continuam sendo eliminados. Este é o caso de acordos de lay off, que vêm sendo assinados por sindicatos de diversas matizes, da Força Sindical à CSP Conlutas. Durante o período de lay off, o dinheiro do FAT também é utilizado para pagar parte do salário de quem está com contrato suspenso.

    A ameaça de demissão funciona como uma chantagem patronal.

    Recentemente, uma proposta de redução de salário com redução da jornada foi rejeitada pelos trabalhadores da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo/SP. A proposta era defendida pela direção do sindicato cutista.

    Já o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, SP, dirigido por companheiros do PSTU, defendeu em assembleia e assinou acordo com a General Motors em 2013 que flexibilizou a jornada de trabalho e reduziu drasticamente o piso e a grade salarial. Esse acordo não previa garantia de emprego e objetivava garantir investimentos na fábrica da GM na cidade previstos para acontecer em 2017.

    As mesmas empresas que remetem lucros milionários às suas matrizes querem responsabilizar o salário do trabalhador brasileiro pela crise. Isso é uma falácia. É sabido que a diminuição do salário e do poder de compra do trabalhador aprofunda a crise, na medida em que restringe a atividade econômica.

    É necessário ressaltar que o setor automobilístico recebeu mais de R$ 27 bilhões de incentivos fiscais do governo e mesmo assim não deixou de eliminar postos de trabalho.

    Portanto, a MP 680 é mais uma medida que beneficia o grande capital. Não é razoável o governo economizar recursos do FAT quando se trata do abono salarial para quem ganha até dois salários mínimos, enquanto utiliza o dinheiro do mesmo fundo para subsidiar grandes empresas, na maioria das vezes, oligopólios internacionais.

    Para proteger o emprego é necessário reduzir a taxa de juros e interromper o ajuste fiscal que derruba investimentos, além da adoção de medidas estruturais como uma reforma tributária. O país precisa desonerar salários e impostos indiretos, taxar bancos e os fluxos de capital e instituir imposto sobre as grandes fortunas e heranças. E é preciso mudar a agenda de retrocessos sociais e recolocar na pauta do país a redução da jornada de trabalho sem redução de salários para 40 horas semanais, medida suficiente para gerar dois milhões de postos de trabalho.

    Edson Carneiro Índio é Secretário Geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora

    indio

  • Quem nos governa?

    Quem nos governa?

    Texto de : Vladimir Safatle

    Filósofo e professor livre-docente da Universidade de São Paulo.

    Quem nos governa?

    Estamos em 1860. O Império Britânico acaba de vencer a famosa “Guerra do Ópio” contra a China, talvez uma das páginas mais cínicas e criminosas da história cínica e criminosa do colonialismo. Metade do comércio da Inglaterra com a China baseia-se na venda ilegal de ópio. Diante da devastação provocada pela droga em sua população, o governo chinês resolve proibir radicalmente seu comércio. A resposta chega por uma sucessão de guerras nas quais a Inglaterra vence e obriga a China a abrir seus portos para os traficantes e missionários cristãos (uma dupla infalível, como veremos mais à frente), além de ocupar Hong Kong por 155 anos.

    Em 1860, guerra terminada, os ingleses tiveram a ideia de abrir um banco para financiar o comércio baseado no tráfico de drogas. Dessa forma apoteótica, nasceu o HKSC, tempos depois transformado em HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation), conhecido de todos nós atualmente. Sua história é o exemplo mais bem acabado de como o desenvolvimento do capitalismo financeiro e a cumplicidade com a alta criminalidade andam de mãos dadas.

    A partir dos anos 70 do século passado, por meio da compra de corporações nos Estados Unidos e no Reino Unido, o HSBC transformou-se em um dos maiores conglomerados financeiros do mundo. No Brasil, adquiriu o falido Bamerindus. Tem atualmente 270 mil funcionários e atua em mais de 80 países. Sua expansão deu-se, em larga medida, por meio da aquisição de bancos conhecidos por envolvimento em negócios ilícitos, entre eles o Republic New York Corporation, de propriedade do banqueiro brasileiro Edmond Safra, morto em circunstâncias misteriosas em seu apartamento monegasco. Um banco cuja carteira de clientes era composta, entre outros, de traficantes de diamantes e suspeitos de negócios com a máfia russa, para citar alguns dos nobres correntistas. Segundo analistas de Wall Street, a instituição financeira de Nova York teria sido vendida por um preço 40% inferior ao seu valor real.

    Assim que vários jornais do mundo exibiram documentos com detalhes de como a filial do HSBC em Genebra havia lavado dinheiro de ditadores, traficantes de armas e drogas, auxiliado todo tipo de gente a operar fraudes fiscais milionárias e a abrir empresas offshore, a matriz emitiu um seco comunicado no qual informava que tais práticas, ocorridas até 2007, não tinham mais lugar e que, desde então, os padrões de controle estavam em outro patamar. Mas não é exatamente essa a realidade.

    Em julho de 2013, a senadora norte-americana Elisabeth Warren fez um discurso no qual perguntava: quanto tempo seria ainda necessário para fechar um banco como o HSBC? A instituição havia acabado de assumir a culpa por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas mexicano e colombiano, além de organizações ligadas ao terrorismo. Tudo ocorreu entre 2003 e 2010. A punição? Multa irrisória de 1,9 milhão de dólares.

    Que fantástico. Entre 2006 e 2010, o diretor mundial do banco era o pastor anglicano (sim, o pastor, lembram-se da Guerra do Ópio?) Stephen Green, que, desde 2010, tem um novo cargo, o de ministro do gabinete conservador de David Cameron, cujo governo é conhecido por não ser muito ágil na caça à evasão fiscal dos ricos que escondem seu dinheiro. Enquanto isso, os ingleses veem seu serviço social decompor-se e suas universidades serem privatizadas de fato. O que permite perguntas interessantes sobre quem realmente nos governa e quais são seus reais interesses.

    Alguns fatos são bastante evidentes para qualquer interessado em juntar os pontos. Você poderia colocar seus filhos em boas escolas públicas e ter um bom sistema de saúde público, o que o levaria a economizar parte de seus rendimentos, se especuladores e rentistas não tivessem a segurança de que bancos como o HSBC irão auxiliá-los, com toda a sua expertise, na evasão de divisas e na fraude fiscal. Traficantes de armas e drogas não teriam tanto poder se não existissem bancos que, placidamente, oferecem seus serviços de lavagem de dinheiro com discrição e eficiência. Se assim for, por que chamar de “bancos” o que se parece mais com instituições criminosas institucionalizadas de longa data?

    Fonte: Intersindical

     

  • CRISE E OPORTUNIDADE

    CRISE E OPORTUNIDADE

    Neste dia 05 de junho, dia mundial do meio ambiente, é um momento importante para refletirmos e fazermos um balanço sobre as questões ambientais. Ninguém em sã consciência dirá que é contra o meio ambiente, que odeia árvores, que não liga para água etc. É fato que a preocupação com as questões ambientais cresce a cada dia. Porém, as pessoas comuns, pouco ou nada têm feito para auxiliar no tema. Nossos governantes também, além da retórica superficial e vazia, nada têm feito para questão, e por vezes, têm feito no sentido de agravar a situação. Quando tratamos da temática ambiental, fica cada vez mais necessário não tratarmos os diversos temas afins em caixinhas, e é imperativo tratarmos todos os temas de maneira transversal. Quando falamos de falta d´água, escassez de energia, poluição, transgênicos, contaminações, agrotóxicos, criminalidade, corrupção, estamos tratando em última instância do meio ambiente social, na qual tudo está inserido e interligado por conta de nossas escolhas enquanto sociedade, seja por ação ou por omissão.

    Refutamos aqui, a visão de amplos setores do movimento ambientalista que trata a temática de maneira catastrofista, apocalíptica, fazendo parecer que foi a maldade humana que nos arrastou até aqui e que continua a nos jogar para um caos sem volta. Chegamos até aqui por opções claras de modelos econômicos, e de organização social como um todo. O planeta ainda possui imensos recursos naturais e hoje detemos técnicas que poderiam, em curto período de tempo, recuperar muitos recursos perdidos. A grande questão é: o que nos impede de fazer?

    Por que diante de diversas demonstrações de falência deste modelo econômico que depreda e degrada, continuamos a ter inúmeras políticas públicas de incentivo à compra e ao uso do automóvel em detrimento do transporte coletivo (ônibus e trens) ou individual não motorizado (bicicleta)? Por que mesmo diante da gravíssima crise hídrica vivida no estado, o governo de São Paulo não reestrutura a gestão e as práticas da Sabesp que, entre outros erros, não nos preparou para tamanha crise? Por que em Campinas a prefeitura patina na implantação das ciclovias enquanto outras cidades do Brasil e do mundo tratam isso como prioridade? Por que por mais um ano vivemos uma epidemia gravíssima de dengue e nada foi feito de mudança estrutural além de campanhas que jogam a responsabilidade exclusivamente na população e imiscuem o poder público enquanto agente que deveria zelar por uma cidade limpa, organizada e saudável?

    Talvez algumas respostas estejam no fato de que nossos governantes ainda não perceberam o fosso que os separa da população. O abismo que está entre suas intenções e ações e as verdadeiras expectativas e necessidades da população e dos cuidados que nossos recursos naturais tanto precisam. Embevecidos pelos resultados das urnas, não percebem que, cada dia mais, residem em um castelo podre a beira da ruína. Castelos esses em função da manutenção de um modelo econômico que não se mostra mais suficiente dentro de nossas possibilidades sociais e naturais. O exército brasileiro realizar exercícios de ocupação da Sabesp como alguns órgãos de comunicação noticiaram não nos trará água. O mal-estar toma conta das pessoas, mas elas ainda não conseguem – ou não querem – entender o porquê e quais as saídas.

    Os chineses, utilizam o termo “wei-ji” para definir crise. O termo chinês traz dois caracteres: perigo e oportunidade. E é assim que devemos ver os tempos atuais. Tempo que nos trazem inúmeros perigos, mas também a oportunidade de repensarmos nossas escolhas e nosso papel, como indivíduo e cidadão no mundo, para o bem das presentes e futuras gerações. Aos governantes de plantão resta saber se continuarão plantando ventos para colherem tempestades.

    Rafael Moya, advogado e Presidente do Conselho Gestor da APA de Campinas

    Arlei Medeiros, sanitarista ambiental e Coordenador do Observatório de Gestão Pública do Trabalhador.

  • 1º de Maio em Cuba – Uma vivência para a vida toda

    Para aqueles que acreditam que no 1º de maio deve ser comemorado o dia do trabalho, e não o dia do trabalhador, vá para Cuba!

    Nossa delegação formada por dirigentes sindicais de várias partes do país viveu uma experiência única. Nos deparamos com milhões de pessoas reunidas na Praça da Revolução. Mais de 2.000 membros de 205 organizações sindicais e políticas de 70 países da Europa, América Latina e Caribe, América do Norte e Ásia, assistiram ao desfile. A população das 15 províncias Cubanas, entre trabalhadores e estudantes, marchou com faixas, cartazes, dizendo palavras de ordem, exaltando a vitória do país na Revolução de 1959 que transformou a sociedade Cubana.

    No palanque, estavam presentes Raul Castro, presidente de Cuba e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. No único discurso que antecedeu o desfile, o secretário-geral da CTC (Central dos Trabalhadores de Cuba), Ulises Guilarte, lembrou o novo cenário político vivido pela Ilha, após o “reconhecimento do governo dos Estados Unidos do fracasso de sua política de assédio, agressão e bloqueio contra Cuba”.

    Como fato simbólico a passeata foi liderada pelos “cinco heróis”, como são conhecidos na Ilha os agentes que foram presos por espionagem nos EUA. O carinho e respeito por eles emociona àqueles que sonham com um mundo sem senhores.

    Este ano, choveu durante todo o desfile, para alegria de todos. Segundo antiga tradição cubana, quem se molha com a primeira chuva de maio terá sorte o resto do ano, fazendo bem para o corpo e a mente. E foi com este pensamento que tomamos esta chuva como na infância, com muita alegria e esperança por um mundo mais fraterno, sem guerras, fome e miséria.

    Impressionou a consciência política que paira sobre Cuba e os cubanos. Eles debatem com muita naturalidade sobre economia, política, sociologia e tantos outros assuntos que são inseridos na vida deles desde a infância. Por isso, a educação é um dos principais pilares da sociedade cubana. Os pais são obrigados a colocar as crianças na escola a partir dos cinco anos até que eles completem o 2º grau. Segundo a Unesco, Cuba é o único país da América Latina e Caribe a atingir objetivos globais de educação. Vale lembrar que o acesso às escolas e universidades é totalmente gratuito.

    O outro pilar que sustenta a sociedade cubana é a saúde. A população também tem a gratuidade assegurada desde o atendimento básico até necessidades mais complexas, como cirurgias. São extremamente baixos os índices de mortalidade infantil e há uma ótima expectativa de vida no país (média de 78 anos).  Por isso, os trabalhadores da área da saúde tiveram destaque no desfile do 1º de maio. Esses profissionais foram peças fundamentais no combate ao ebola, no continente Africano, além de tantas outras missões internacionais que realizam desde o início da Revolução. Nos dias de hoje, os médicos cubanos estão presentes em mais de 60 países ao redor do mundo.

    Perguntados sobre o embargo econômico que perdura mais de 50 anos, imposto pelo governo americano, eles dizem que não haverá um milímetro de retrocesso nas conquistas da Revolução. Acreditam que vale a pena ter a independência e a liberdade de caminhar com seus próprios pés, mesmo seu maior “agressor” estando a 140 km de suas praias. Os cubanos possuem uma frase que diz “Os Yankees (EUA) não conseguiram nos derrotar com as armas, mas vão tentar agora com a Madonna e a Coca-Cola”, tentando impor sua cultura de consumismo e capitalismo.

    Venham conhecer Cuba e os cubanos. Não deixe que a grande mídia brasileira repasse as informações de maneira distorcida sobre esse povo alegre, gentil, inteligente e que continua caminhando por sua independência.

    Viva Cuba!
    Viva a Revolução Cubana!

    Arlei Medeiros – Coordenador da Secretaria Geral da Fetquim
    Renato Libânio – Historiador e Coordenador do Centro Organizativo dos Trabalhadores (COT)

  • Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64

    Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64

    Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64′

    por Wanderley Preite Sobrinho — Carta Capital

    Para Ruy Braga, professor da USP especializado em sociologia do trabalho, Projeto de Lei 4330 completa desmonte iniciado por FHC e sela “início do governo do PMDB”

    Especialista em sociologia do trabalho, Ruy Braga traça um cenário delicado para os próximos quatro anos: salários 30% mais baixos para 18 milhões de pessoas. Até 2020, a arrecadação federal despencaria, afetando o consumo e os programas de distribuição de renda. De um lado, estaria o desemprego. De outro, lucros desvinculados do aumento das vendas. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), a aprovação do texto base do Projeto de Lei 4330/04, que facilita a terceirização de trabalhadores, completa odesmonte dos direitos trabalhistas iniciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na década de 90. “Será a maior derrota popular desde o golpe de 64”, avalia o professor em entrevista a CartaCapital.

    ruy braga

    Ruy Braga, professor da USP

    Embora o projeto não seja do governo, Braga não poupa a presidenta e o PT pelo cenário político que propiciou sua aprovação. Ele cita as restrições ao Seguro Desemprego, sancionadas pelo governo no final de 2014, como o combustível usado pelo PMDB para engatar outras propostas desfavoráveis ao trabalhador, e ironiza: “Esse projeto sela o fim do governo do PT e o início do governo do PMDB. Dilma está terceirizando seu mandato”.

    Leia a entrevista completa:

    CartaCapital: Uma lei para regular o setor é mesmo necessária?

    Ruy Braga: Não. A Súmula do TST [Tribunal Superior do Trabalho] pacificou na Justiça o consenso de que não se pode terceirizar as atividades-fim. O que acontece é que as empresas não se conformam com esse fato. Não há um problema legal. Já há regulamentação. O que existe são interesses de empresas que desejam aumentar seus lucros.

    CC: Qual a diferença entre atividade-meio e atividade-fim?

    RB: Uma empresa é composta por diferentes grupos de trabalhadores. Alguns cuidam do produto ou serviço vendido pela companhia, enquanto outros gravitam em torno dessa finalidade empresarial. Em uma escola, a finalidade é educar. O professor é um trabalhador-fim. Quem mexe com segurança, limpeza e informática, por exemplo, trabalha com atividades-meio.

    CC: O desemprego cai ou aumenta com as terceirizações?

    RB: O desemprego aumenta. Basta dizer que um trabalhador terceirizado trabalha em média três horas a mais. Isso significa que menos funcionários são necessários: deve haver redução nas contratações e prováveis demissões.

    CC: Quantas pessoas devem perder a estabilidade?

    RB: Hoje o mercado formal de trabalho tem 50 milhões de pessoas com carteira assinada. Dessas, 12 milhões são terceirizadas. Se o projeto for transformado em lei, esse número deve chegar a 30 milhões em quatro ou cinco anos. Estou descontando dessa conta a massa de trabalhadores no serviço público, cuja terceirização é menor, as categorias que de fato obtêm representação sindical forte, que podem minimizar os efeitos da terceirização, e os trabalhadores qualificados.

    CC: Por que os trabalhadores pouco qualificados correm maior risco?

    RB: O mercado de trabalho no Brasil se especializou em mão de obra semiqualificada, que paga até 1,5 salário mínimo. Quando as empresas terceirizam, elas começam por esses funcionários. Quando for permitido à companhia terceirizar todas as suas atividades, quem for pouco qualificado mudará de status profissional.

    CC: Como se saíram os países que facilitaram as terceirizações?

    RB: Portugal é um exemplo típico. O Banco de Portugal publicou no final de 2014 um estudo informando que, de cada dez postos criados após a flexibilização, seis eram voltados para estagiários ou trabalho precário. O resultado é um aumento exponencial de portugueses imigrando. Ao contrário do que dizem as empresas, essa medida fecha postos, diminui a remuneração, prejudica a sindicalização de trabalhadores, bloqueia o acesso a direitos trabalhistas e aumenta o número de mortes e acidentes no trabalho porque a rigidez da fiscalização também é menor por empresas subcontratadas.

    CC: E não há ganhos?

    RB: Há, o das empresas. Não há outro beneficiário. Elas diminuem encargos e aumentam seus lucros.

    CC: A arrecadação de impostos pode ser afetada?

    RB: No Brasil, o trabalhador terceirizado recebe 30% menos do que aquele diretamente contratado. Com o avanço das terceirizações, o Estado naturalmente arrecadará menos. O recolhimento de PIS, Cofins e do FGTS também vão reduzir porque as terceirizadas são reconhecidas por recolher do trabalhador mas não repassar para a União. O Estado também terá mais dificuldade em fiscalizar a quantidade de empresas que passará a subcontratar empregados. O governo sabe disso.

    CC: Por que a terceirização aumenta a rotatividade de trabalhadores?

    RB: As empresas contratam jovens, aproveitam a motivação inicial e aos poucos aumentam as exigências. Quando a rotina derruba a produtividade, esses funcionários são demitidos e outros são contratados. Essa prática pressiona a massa salarial porque a cada demissão alguém é contratado por um salário menor. A rotatividade vem aumentando ano após ano. Hoje, ela está em torno de 57%, mas alcança 76% no setor de serviços. O Projeto de Lei 4330 prevê a chamada “flexibilização global”, um incentivo a essa rotatividade.

    CC: Qual o perfil do trabalhador que deve ser terceirizado?

    RB: Nos últimos 12 anos, o público que entrou no mercado de trabalho é composto por: mulheres (63%), não brancos (70%) e jovens. Houve um avanço de contratados com idade entre 18 e 25 anos. Serão esses os maiores afetados. Embora os últimos anos tenham sido um período de inclusão, a estrutura econômica e social brasileira não exige qualificações raras. O perfil dos empregos na agroindústria, comércio e indústria pesada, por exemplo, é menos qualificado e deve sofrer com a nova lei porque as empresas terceirizam menos seus trabalhadores qualificados.

    CC: O consumo alavancou a economia nos últimos anos. Ele não pode ser afetado?

    RB: Essa mudança é danosa para o consumo, o que inevitavelmente afetará a economia e a arrecadação. Com menos impostos é provável que o dinheiro para transferência de renda também diminua.

    CC: Qual a responsabilidade do PT e do governo Dilma por essa derrota na Câmara?

    RB: O governo inaugurou essa nova fase de restrição aos direitos trabalhistas. No final de 2014, o governo editou as medidas provisórias 664 e 665, que endureceram o acesso ao Seguro Desemprego, por exemplo. Evidentemente que a base governista – com PMDB e PP – iria se sentir mais à vontade em avançar sobre mais direitos. Foi então que [o presidente da Câmara] Eduardo Cunha resgatou o PL 4330 do Sandro Mabel, que nem é mais deputado.

    CC: Para um partido de esquerda, essa derrota na Câmara pode ser considerada a maior que o PT já sofreu?

    RB: Eu diria que, se esse projeto se tornar lei, será a maior derrota popular desde o golpe de 64 e o maior retrocesso em leis trabalhistas desde que o FGTS foi criado, em 1966. Essa é a grande derrota dos trabalhadores nos últimos anos. Ela sela o fim do governo do PT e marca o início do governo do PMDB. A Dilma está terceirizando seu mandato.

    CC: A pressão do mercado era mesmo incontornável?

    RB: Dilma deixou de ser neodesenvolvimentista a partir do segundo ano de seu primeiro mandato. Seu governo privatizou portos, aeroportos, intensificou a liberação de crédito para projetos duvidosos e agora está fazendo de tudo para desonerar o custo do trabalho. O governo se voltou contra interesses históricos dos trabalhadores. O que eu vejo é a intensificação de um processo e não uma mudança de rota. Se havia alguma dúvida, as pessoas agora se dão conta de que o governo está rendido ao mercado financeiro.

    CC: A terceirização era um dos assuntos preferidos nos anos 90, mas não passou. Não é contraditório que isso aconteça agora?

    RB: O Fernando Henrique tentou acabar com a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] por meio de uma reforma trabalhista que não foi totalmente aprovada. Ele conseguiu passar a reforma previdenciária do setor privado e a regulamentação de contratos por tempo determinado. O governo Lula aprovou a reforma previdenciária do setor público e agora, com anos de atraso, o segundo governo Dilma conclui a reforma iniciada por FHC.

    CC: Mas a CLT não protege também o trabalhador terceirizado?

    RB: A proteção da CLT é formal, mas não acontece no mundo real. Quem é terceirizado, além de receber menos, tem dificuldade em se organizar sindicalmente porque 98% dos sindicatos que representam essa classe protegem as empresas em prejuízo dos trabalhadores. Um simples dado exemplifica: segundo o Ministério Público do Trabalho, das 36 principais libertações de trabalhadores em situação análoga a de escravos em 2014, 35 eram funcionários terceirizados.

    CC: A bancada patronal tem 221 parlamentares, segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Existe alguma relação entre o tão falado fim do financiamento privado de campanha e a aprovação desse projeto?

    RB: Não há a menor dúvida. Hoje em dia é muito simples perceber o que acontece no País. Para eleger um vereador em São Paulo paga-se 4 milhões de reais. Para se eleger deputado estadual, são 10 milhões. Quem banca? Quem financia cobra seus interesses, e essa hora chegou. Enquanto o presidente da Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], Paulo Skaf, ficou circulando no Congresso durante os últimos dois dias, dando entrevista, conversando com deputados e defendendo o projeto, sindicalistas levavam borrachada da polícia. Esse é o retrato do Congresso brasileiro hoje: conservador, feito de empresários, evangélicos radicais e bancada da bala.

  • Entre o direito ao voto e a conquista do espaço público

    Entre o direito ao voto e a conquista do espaço público

    Há 83 anos, em 24 de fevereiro de 1932, após intensa campanha nacional, as mulheres brasileiras conquistaram o direito a votar e serem votadas. Verdade seja dita, parte das brasileiras: aquelas que contavam com a conivência do marido para votar, as viúvas e as solteiras que comprovassem renda própria mínima.

    A extensão do direito a todas as mulheres se deu dois anos depois, em 1934, porém seu exercício manteve-se facultativo até 1946. Aliás, quando dizemos “todas”, queremos dizer todas dentre a reduzida parcela letrada da população. Analfabetas e analfabetos somente conquistaram o direito ao voto em 1985 através de emenda constitucional, posteriormente assegurado pela constituição de 1988.

    Há mais de dez anos as mulheres passaram a configurar maioria do eleitorado. É uma mulher quem ocupa hoje o posto mais alto da República, a presidência. Porém, entre esses dados e a ocupação real dos espaços políticos pelas mulheres brasileiras, em pé de igualdade com os homens, há um abismo gigantesco.

    Alguns dispositivos foram desenvolvidos para buscar superar a sub-representação política das mulheres, como a lei 9.504/1997, que prevê reserva mínima de 30% das vagas para mulheres nas chapas proporcionais. Nas eleições de 2014, primeiras nas quais as cotas foram cumpridas, registrou-se um aumento tímido da bancada feminina na Câmara, passando de 45 para 51 deputadas federais, o que nos eleva ao modesto patamar de 10% desta casa.

    A presença pontual de mulheres em altos cargos nem de longe caracteriza o acesso sistemático das mulheres aos espaços de poder. Sobretudo quando as ocupantes de tal cargo não se comprometem com a defesa da autonomia e liberdade das mulheres, promovendo cortes orçamentários em áreas sociais, travando pautas históricas do movimento feminista, como a legalização do aborto e demais direitos sexuais e reprodutivos.

    O que buscamos não é um símbolo para dizer que podemos eventualmente chegar lá, mas romper com a condição de opressão. Como pensar em aumentar a representação institucional das mulheres brasileiras sem promover mudanças profundas no nosso sistema político? Como chegar à paridade sem privilegiar o voto ideológico, em lista, com alternância de gênero? Ou sem impedir que interesses de grupos econômicos (inclusive aqueles que se escondem sob a fé), através do financiamento privado de campanha, dominem o cenário político?

    Para além dos cargos eletivos e da política institucional, assegurar o direito à livre manifestação é imprescindível. As mulheres, que fomos maioria nas ruas durante as grandes manifestações de junho de 2013, se tornaram visível minoria no ano seguinte, quando os atos contra as arbitrariedades da Fifa e gastos com a Copa foram duramente reprimidas em todo o país. Os diversos relatos de abordagem policial machista e a ofensiva contra os manifestantes afastam das ruas principalmente aquelas que não são socializadas ao longo da vida para os espaços públicos.

    Mas não vão nos deter. Nossa luta coletiva por espaço político, por voz, por ocupar cargos públicos, direções de partidos, sindicatos, movimentos, continua todos os dias.

    Carolina Peters é feminista e militante do PSOL.