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  • Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64

    Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64

    Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64′

    por Wanderley Preite Sobrinho — Carta Capital

    Para Ruy Braga, professor da USP especializado em sociologia do trabalho, Projeto de Lei 4330 completa desmonte iniciado por FHC e sela “início do governo do PMDB”

    Especialista em sociologia do trabalho, Ruy Braga traça um cenário delicado para os próximos quatro anos: salários 30% mais baixos para 18 milhões de pessoas. Até 2020, a arrecadação federal despencaria, afetando o consumo e os programas de distribuição de renda. De um lado, estaria o desemprego. De outro, lucros desvinculados do aumento das vendas. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), a aprovação do texto base do Projeto de Lei 4330/04, que facilita a terceirização de trabalhadores, completa odesmonte dos direitos trabalhistas iniciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na década de 90. “Será a maior derrota popular desde o golpe de 64”, avalia o professor em entrevista a CartaCapital.

    ruy braga

    Ruy Braga, professor da USP

    Embora o projeto não seja do governo, Braga não poupa a presidenta e o PT pelo cenário político que propiciou sua aprovação. Ele cita as restrições ao Seguro Desemprego, sancionadas pelo governo no final de 2014, como o combustível usado pelo PMDB para engatar outras propostas desfavoráveis ao trabalhador, e ironiza: “Esse projeto sela o fim do governo do PT e o início do governo do PMDB. Dilma está terceirizando seu mandato”.

    Leia a entrevista completa:

    CartaCapital: Uma lei para regular o setor é mesmo necessária?

    Ruy Braga: Não. A Súmula do TST [Tribunal Superior do Trabalho] pacificou na Justiça o consenso de que não se pode terceirizar as atividades-fim. O que acontece é que as empresas não se conformam com esse fato. Não há um problema legal. Já há regulamentação. O que existe são interesses de empresas que desejam aumentar seus lucros.

    CC: Qual a diferença entre atividade-meio e atividade-fim?

    RB: Uma empresa é composta por diferentes grupos de trabalhadores. Alguns cuidam do produto ou serviço vendido pela companhia, enquanto outros gravitam em torno dessa finalidade empresarial. Em uma escola, a finalidade é educar. O professor é um trabalhador-fim. Quem mexe com segurança, limpeza e informática, por exemplo, trabalha com atividades-meio.

    CC: O desemprego cai ou aumenta com as terceirizações?

    RB: O desemprego aumenta. Basta dizer que um trabalhador terceirizado trabalha em média três horas a mais. Isso significa que menos funcionários são necessários: deve haver redução nas contratações e prováveis demissões.

    CC: Quantas pessoas devem perder a estabilidade?

    RB: Hoje o mercado formal de trabalho tem 50 milhões de pessoas com carteira assinada. Dessas, 12 milhões são terceirizadas. Se o projeto for transformado em lei, esse número deve chegar a 30 milhões em quatro ou cinco anos. Estou descontando dessa conta a massa de trabalhadores no serviço público, cuja terceirização é menor, as categorias que de fato obtêm representação sindical forte, que podem minimizar os efeitos da terceirização, e os trabalhadores qualificados.

    CC: Por que os trabalhadores pouco qualificados correm maior risco?

    RB: O mercado de trabalho no Brasil se especializou em mão de obra semiqualificada, que paga até 1,5 salário mínimo. Quando as empresas terceirizam, elas começam por esses funcionários. Quando for permitido à companhia terceirizar todas as suas atividades, quem for pouco qualificado mudará de status profissional.

    CC: Como se saíram os países que facilitaram as terceirizações?

    RB: Portugal é um exemplo típico. O Banco de Portugal publicou no final de 2014 um estudo informando que, de cada dez postos criados após a flexibilização, seis eram voltados para estagiários ou trabalho precário. O resultado é um aumento exponencial de portugueses imigrando. Ao contrário do que dizem as empresas, essa medida fecha postos, diminui a remuneração, prejudica a sindicalização de trabalhadores, bloqueia o acesso a direitos trabalhistas e aumenta o número de mortes e acidentes no trabalho porque a rigidez da fiscalização também é menor por empresas subcontratadas.

    CC: E não há ganhos?

    RB: Há, o das empresas. Não há outro beneficiário. Elas diminuem encargos e aumentam seus lucros.

    CC: A arrecadação de impostos pode ser afetada?

    RB: No Brasil, o trabalhador terceirizado recebe 30% menos do que aquele diretamente contratado. Com o avanço das terceirizações, o Estado naturalmente arrecadará menos. O recolhimento de PIS, Cofins e do FGTS também vão reduzir porque as terceirizadas são reconhecidas por recolher do trabalhador mas não repassar para a União. O Estado também terá mais dificuldade em fiscalizar a quantidade de empresas que passará a subcontratar empregados. O governo sabe disso.

    CC: Por que a terceirização aumenta a rotatividade de trabalhadores?

    RB: As empresas contratam jovens, aproveitam a motivação inicial e aos poucos aumentam as exigências. Quando a rotina derruba a produtividade, esses funcionários são demitidos e outros são contratados. Essa prática pressiona a massa salarial porque a cada demissão alguém é contratado por um salário menor. A rotatividade vem aumentando ano após ano. Hoje, ela está em torno de 57%, mas alcança 76% no setor de serviços. O Projeto de Lei 4330 prevê a chamada “flexibilização global”, um incentivo a essa rotatividade.

    CC: Qual o perfil do trabalhador que deve ser terceirizado?

    RB: Nos últimos 12 anos, o público que entrou no mercado de trabalho é composto por: mulheres (63%), não brancos (70%) e jovens. Houve um avanço de contratados com idade entre 18 e 25 anos. Serão esses os maiores afetados. Embora os últimos anos tenham sido um período de inclusão, a estrutura econômica e social brasileira não exige qualificações raras. O perfil dos empregos na agroindústria, comércio e indústria pesada, por exemplo, é menos qualificado e deve sofrer com a nova lei porque as empresas terceirizam menos seus trabalhadores qualificados.

    CC: O consumo alavancou a economia nos últimos anos. Ele não pode ser afetado?

    RB: Essa mudança é danosa para o consumo, o que inevitavelmente afetará a economia e a arrecadação. Com menos impostos é provável que o dinheiro para transferência de renda também diminua.

    CC: Qual a responsabilidade do PT e do governo Dilma por essa derrota na Câmara?

    RB: O governo inaugurou essa nova fase de restrição aos direitos trabalhistas. No final de 2014, o governo editou as medidas provisórias 664 e 665, que endureceram o acesso ao Seguro Desemprego, por exemplo. Evidentemente que a base governista – com PMDB e PP – iria se sentir mais à vontade em avançar sobre mais direitos. Foi então que [o presidente da Câmara] Eduardo Cunha resgatou o PL 4330 do Sandro Mabel, que nem é mais deputado.

    CC: Para um partido de esquerda, essa derrota na Câmara pode ser considerada a maior que o PT já sofreu?

    RB: Eu diria que, se esse projeto se tornar lei, será a maior derrota popular desde o golpe de 64 e o maior retrocesso em leis trabalhistas desde que o FGTS foi criado, em 1966. Essa é a grande derrota dos trabalhadores nos últimos anos. Ela sela o fim do governo do PT e marca o início do governo do PMDB. A Dilma está terceirizando seu mandato.

    CC: A pressão do mercado era mesmo incontornável?

    RB: Dilma deixou de ser neodesenvolvimentista a partir do segundo ano de seu primeiro mandato. Seu governo privatizou portos, aeroportos, intensificou a liberação de crédito para projetos duvidosos e agora está fazendo de tudo para desonerar o custo do trabalho. O governo se voltou contra interesses históricos dos trabalhadores. O que eu vejo é a intensificação de um processo e não uma mudança de rota. Se havia alguma dúvida, as pessoas agora se dão conta de que o governo está rendido ao mercado financeiro.

    CC: A terceirização era um dos assuntos preferidos nos anos 90, mas não passou. Não é contraditório que isso aconteça agora?

    RB: O Fernando Henrique tentou acabar com a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] por meio de uma reforma trabalhista que não foi totalmente aprovada. Ele conseguiu passar a reforma previdenciária do setor privado e a regulamentação de contratos por tempo determinado. O governo Lula aprovou a reforma previdenciária do setor público e agora, com anos de atraso, o segundo governo Dilma conclui a reforma iniciada por FHC.

    CC: Mas a CLT não protege também o trabalhador terceirizado?

    RB: A proteção da CLT é formal, mas não acontece no mundo real. Quem é terceirizado, além de receber menos, tem dificuldade em se organizar sindicalmente porque 98% dos sindicatos que representam essa classe protegem as empresas em prejuízo dos trabalhadores. Um simples dado exemplifica: segundo o Ministério Público do Trabalho, das 36 principais libertações de trabalhadores em situação análoga a de escravos em 2014, 35 eram funcionários terceirizados.

    CC: A bancada patronal tem 221 parlamentares, segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Existe alguma relação entre o tão falado fim do financiamento privado de campanha e a aprovação desse projeto?

    RB: Não há a menor dúvida. Hoje em dia é muito simples perceber o que acontece no País. Para eleger um vereador em São Paulo paga-se 4 milhões de reais. Para se eleger deputado estadual, são 10 milhões. Quem banca? Quem financia cobra seus interesses, e essa hora chegou. Enquanto o presidente da Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], Paulo Skaf, ficou circulando no Congresso durante os últimos dois dias, dando entrevista, conversando com deputados e defendendo o projeto, sindicalistas levavam borrachada da polícia. Esse é o retrato do Congresso brasileiro hoje: conservador, feito de empresários, evangélicos radicais e bancada da bala.

  • Ato contra terceirização em SP termina com ‘gosto de vitória’ após adiamento da votação

    Ato contra terceirização em SP termina com ‘gosto de vitória’ após adiamento da votação

    Manifestação reuniu cerca de 40 mil, segundo organizadores, entre o Largo da Batata e a avenida Paulista; dirigentes acreditam que pressão popular foi decisiva para recuo dos deputados

    Os milhares de manifestantes que marcharam nesta quarta-feira (15) em São Paulo contra o PL 4.330, que trata da terceirização do trabalho, encerraram o ato iniciado no Largo da Batata, na zona oeste, em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na avenida Paulista, com a sensação de vitória. Forçados pela pressão popular, deputados chegaram a acordo para adiar a votação de emendas do projeto para a próxima quarta-feira (22) dando mais tempo para as bancadas discutirem. Segundo os organizadores, a marcha reuniu aproximadamente 40 mil pessoas, e não houve policiamento ostensivo. A PM disse que eram 1.300.

    O dia começou com manifestações promovidas por sindicatos e cinco centrais sindicais em todos o país, com paralisações em fábricas e bancos e atos públicos. Em São Paulo, a principal movimentação das centrais ocorreu no meio da tarde, também diante da sede da Fiesp. O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, descreveu uma vaia que os militantes deram ao presidente da federação patronal, Paulo Skaf. “Se o 4.330 do jeito que está redigido seguir adiante e for aprovado pelos senadores, acabou a CLT. O projeto não é terceirização, companheiros. É mentira do Skaf”, disse.

    Ele criticou também a maioria dos deputados que aprovaram o PL e, em especial, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Nem a ditadura militar ousou em retirar o direito dos trabalhadores com um corte tão profundo como quer fazer o ditador Eduardo Cunha.”

    No ABC, metalúrgicos realizaram assembleia a partir das 7h nas montadoras Ford, Volks e Scania e pouco antes das 8h os trabalhadores ocuparam a via Anchieta. Na Mercedes-Benz, a empresa suspendeu o ônibus para impedir que os trabalhadores se engajassem na luta contra as terceirizações, mas a categoria se juntou aos demais na mobilização.

    Os bancários de São Paulo iniciaram o dia de paralisação em agências do centro da cidade e do entorno do Largo da Batata e em importantes unidades administrativas e operacionais do Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Federal. “O número de estabelecimentos que prestam serviço de correspondente bancário cresceu 2.313% entre 2000 e 2014, atingindo 331 mil em junho do ano passado, de acordo com o Banco Central. Com a aprovação do PL, a terceirização vai aumentar e atingir todos os setores, como as gerências, caixas e áreas de tecnologia, podendo colocar em risco o sigilo bancário”, afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Juvandia Moreira.

    Concentração e marcha

    A coordenadora estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Natalia Szermeta, informada da suspensão da votação das emendas, no final do ato, avaliou que se tratou de resultado da pressão popular, “uma vitória das mobilizações”. “Hoje o dia começou com greves e protestos, e vai terminar com greves e protestos. Isso dá mais força para seguir na luta e demonstra que o povo na rua vai conseguir barrar o projeto. Não existe acordo sobre o projeto. Ou ele será barrado no Congresso ou vai ser vetado por Dilma. Os trabalhadores não arredarão pé dessas posições”, garantiu.

    “Os empresários exploradores e os coxinhas fascistas não passarão. Quantos mais vocês quiserem precarizar a vida dos que lutam, quanto mais pobres querem nos deixar, mais vão nos unir e mais vamos lutar pelos nossos direitos”, alertou a ativista.

    bolosNo discurso final, o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, ressaltou a greve dos professores estaduais, lembrando que ocuparam hoje a Assembleia Legislativa. Lembrou os atos da manhã em rodovias e movimentos grevistas por todo o país e disse que hoje foi um dia de vitória. “Acabamos molhados, mas lavamos a alma contra os que querem cercear os direitos dos trabalhadores e do povo pobre.”

    No início do ato, às 17h, no Largo da Batata, Boulos disse que havia três recados a ser transmitidos com a manifestação: o primeiro, para a “elite preconceituosa”: “Vamos passar pelo ninho deles, pelos Jardins, para dizer que a rua é do povo, e que eles não vão nos impedir de ocupar as ruas”.

    O segundo recado do MTST, à frente da organização do ato, é para a presidenta Dilma Rousseff: “Se o PL for aprovado, a Dilma tem o dever de vetá-lo. Não vamos aceitar as MPs (medidas provisórias) do ajuste (fiscal). O governo Dilma não foi eleito para cassar direito de trabalhador, nem pra fazer ajuste, nem pra colocar o (Joaquim) Levy na Fazenda (ministério). Não vamos ataque contra trabalhadores pobres, venha de onde vier. O MTST não tem rabo preso com ninguém”.

    Quando a marcha chegou em frente ao escritório da presidência da República, já na avenida Paulista, Boulos repetiu o recado mencionado no início, reforçando que o movimento não vai aceitar cortes nos direitos dos trabalhadores, exigindo o veto ao PL 4.330 e o lançamento imediato do Minha Casa, Minha Vida 3, além da garantia das verbas de programas sociais para que não sofram com cortes do ajuste fiscal.

    O último recado foi direcionado ao empresariado: “Nós vamos terminar este ato na Fiesp pra dizer que eles não devem cantar vitória antes da hora. O PL 4.330 não vai passar. E se passar, vamos barrá-lo, nem que seja na marra”. Boulos acrescentrou que na manifestação não vão ser vistas coisas como no domingo (12), quando, segundo ele, muita gente afirmou que Dilma tem que ir embora, mas ninguém questionou Eduardo Cunha (presidente da Câmara), que comandou a votação do PL 4.330, nem protestou contra Renan Calheiros (presidente do Senado), que coloca em pauta novamente a lei antiterrorismo, que na prática ataca o direito de manifestação, nem contra o governador Geraldo Alckmin, que deixou acabar a água em São Paulo e ignora a greve dos professores.

    Para Altino de Melo Prazeres Junior, presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e representante da CSP-Conlutas, a suspensão da votação significa que as paralisação repercutiram, que “o povo começou a entender as medidas e pegou muito mal para os deputados ir contra os trabalhadores”. Ele acredita que a pressão é um caminho para barrar o projeto, que o adiamento é um sinal, mas não é o fim. “Se preciso for faremos greve geral.”

    Vagner Freitas, da CUT, disse que é essencial a unidade da esquerda para derrotar a mobilização da direita. Afirmou que o PL 4.330 é só o primeiro de uma série para suspender direitos dos trabalhadores. A redução da maioridade a lei antiterrorismo vieram para acabar com direitos da população e mandou recado a Eduardo Cunha: “Você não manda no Brasil. Vamos fazer uma greve nacional se for preciso”.

    Candidata pelo Psol à presidência da República em 2014, Luciana Genro ressaltou que hoje há 30 mil trabalhadores se manifestando, professores em greve, mas a cobertura da imprensa não chega nem perto dos atos do fim de semana. “É preciso garantir a união entre o povo, os jovens, os negros, as mulheres, as centrais, para juntos barrar o PL 4.330 e o ‘ajuste’, que as medidas para sair da crise são o imposto sobre grandes fortunas e auditoria da dívida e não onerar ainda mais o trabalhador.”

    Ato (8)O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, disse: “Não vamos  permitir uma senzala sobre o povo. Os ajustes e o PL 4.330 afetam principalmente os jovens. Não vamos aceitar barbárie contra os trabalhadores”.

    O filósofo Vladimir Safatle, professor da USP, disse que o povo está sendo “fuzilado” pelo Congresso. “Estamos sendo levados a um futuro em que as pessoas não terão mais férias, 13º salário e condições dignas para o trabalho.” Ele disse ainda que a esquerda precisa entender que a sociedade não ouve mais os seus discursos. “Hoje somos nós, mas logo serão todos vítimas de dessas medidas.”

    Personagens

    mariaMaria de Fátima Silva, no MST há 17 anos e moradora em um assentamento no Vale do Paraíba, chamado Egídio Brunet, diz que está no ato para lutar por terra: “Meu povo precisa de terra pra plantar”.

    Cícero Raimundo, militante do MTST, está há dois anos em uma ocupação na Vila Silvia, na zona leste da capital, e o local está para passar por reintegração de posse em breve: “Nossa principal pauta, além de barrar as terceirizações, é pressionar a Dilma para que ela abre logo a terceira fase do Minha Casa, Minha Vida”.

    vanderleiO integrante do movimento negro Circuito Palmarino Vanderlei Victorino diz que foi ao ato principalmente contra a redução da maioridade penal e pelo fim do genocídio da juventude negra nas periferias.

    “Nós sabemos que a redução só vai encarcerar ainda mais a população negra e não consegue resolver a questão da violência. Menos de um por cento dos homicídios é cometido por jovens com menos de 18 anos”, disse.

    Com informações dos repórteres Rodrigo Gomes e Sarah Fernandes

    Rede Brasil Atual

  • Dia de luta por mais direitos, venha para a rua no dia 15 de abril

    Dia de luta por mais direitos, venha para a rua no dia 15 de abril

    No dia 15 de abril, trabalhadores do setor privado, servidores públicos, estudantes e militantes sociais de várias organizações de esquerda promoverão o Dia Nacional de Lutas. Nesse dia, quando haverá greve, paralisação em vários setores e atos públicos, serão denunciadas as propostas que ameaçam os direitos dos trabalhadores, entre os quais o PL 4330 e também as demais pautas conservadoras que trazem retrocesso para a sociedade.

    Os ataques contra os direitos dos trabalhadores não cessam. Depois das MPs 664 e 665, que retiram direitos trabalhistas e previdenciários, editado pelo governo Dilma no final do ano passado, agora o ataque vem da Câmara dos Deputados: a aprovação do PL 4330, que permite a terceirização de forma indiscriminada, a desregulamentação do mundo do trabalho e o rebaixamento dos salários.

    Por isso, venha participar do Dia Nacional de Lutas, marcado para o próximo 15 de abril. Esta jornada foi convocada e construída pelo PSOL, MTST, CUT, CSP-Conlutas, Intersindical, Juntos, JSOL, Rua, MST, dentre outros movimentos sociais combativos. Ocuparemos as ruas contra o ajuste de Dilma e Levy, contra a direita e por mais direitos!

  • O PL da terceirização é “tapa na cara dos trabalhadores brasileiros”, afirma juiz

    O PL da terceirização é “tapa na cara dos trabalhadores brasileiros”, afirma juiz

    Fonte: Sindicato dos Químicos Unificados

    O Sindicato Químicos Unificados e a Intersindical estarão amanhã (7), juntos a sindicatos de várias categorias profissionais de todo o Brasil e às demais centrais, de um ato de protesto em Brasília contra o projeto de lei (PL) 4330/04, cujo objetivo é liberar a terceirização, que deverá ser votado na Câmara dos Deputados conforme anunciou o presidente da casa o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ). A mobilização dos trabalhadores é para barrar esta aprovação e, ainda mais, enterrar definitivamente esta proposta.

    Para o juiz do Trabalho da 10ª Região e ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Grijalbo Fernandes Coutinho, o PL 4330/04 é “tapa na cara dos trabalhadores brasileiros”. Leia esta entrevista, mais abaixo.

    O PL 4330/04, se aprovado, permitirá que as empresas terceirizem todas as suas atividades, inclusive no setor de produção. Com isto, todas as conquistas hoje garantidas nas convenções coletivas das categorias profissionais poderão se perder, com as empresas contratando trabalhadores indiretos, por meio da terceirização. Estes trabalhadores, obviamente, não estarão enquadrados na convenção coletiva e não terão os direitos por ela estabelecidos.

    Além disso, com a aprovação, a precarização das relações do trabalho será profunda, muito piorada. E a aprovação também e representará o início do fim das garantias hoje estabelecidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

     juiz

    O juiz do Trabalho da 10ª Região e ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Grijalbo Fernandes Coutinho (foto acima), concedeu entrevista ao site do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-4), na qual fala, e critica e argumenta, sobre a terceirização e o projeto de lei 4.330/04.

    Quais são os impactos da terceirização para o trabalhador? 

    Na minha compreensão, os impactos são todos negativos para o trabalhador. Não há sequer uma vantagem. A terceirização surge com maior intensidade a partir dos anos 70 e ganha corpo definitivamente no Brasil na década de 90. Hoje é uma verdadeira febre.

    A terceirização tem dois propósitos muito evidentes: o econômico e o político. Sua razão econômica é permitir aos patrões a diminuição de custos com a exploração da mão de obra. Vários argumentos são usados no sentido de que se trata de especialização, de racionalização, mas tudo isso é secundário. A outra razão é a de cunho político. Nesse ponto o objetivo é dividir os trabalhadores, fragmentá-los, especialmente em suas representações sindicais.

    A ideia de que a terceirização cria novos postos de trabalho é inverídica. Os postos de trabalho são uma necessidade de determinado setor. Ou você utiliza a mão de obra contratada diretamente pelo tomador de serviços ou o faz por meio da terceirização.

    O senhor menciona um crescimento da terceirização no Brasil nos anos 90. Por que isso ocorreu?

    Esta foi uma tendência mundial. O capital se reestruturou a partir dos anos 70. Houve uma crise econômica evidente, a crise do petróleo, do capitalismo norte-americano. E o capitalismo foi bastante hábil para se reinventar, para continuar com aquela máxima de gerar lucro e criar riquezas materiais. Um das formas de fazer isso é justamente diminuir o poder do trabalho e de todas as suas organizações. Nada foi por acaso.

    Assim como se verifica, a partir dos anos 90, um processo intenso de privatização e de esvaziamento do Estado, por outro lado há um duro golpe contra o trabalho. Houve a reestruturação dos modos de produção, com utilização intensa dos recursos da robótica e da microeletrônica, e a fragmentação da cadeia produtiva. Essa fragmentação ocorre tanto na terceirização interna quando na externa.

    A terceirização externa é observada principalmente nas grandes empresas automotivas, onde a fragmentação é total. As peças de um carro são fabricadas em diferentes regiões e países, sempre com o intuito de se conseguir o menor custo. Na terceirização interna, contrata-se um empregado e arranja-se uma pessoa para figurar como intermediário de mão de obra. As duas formas são terríveis para o trabalhador. A diferença é que na interna a fraude é escancarada, e na externa é menos perceptível.

    Em qualquer caso, o senhor considera a terceirização uma precarização da relação de trabalho? A terceirização é talvez a forma mais selvagem de precarização. Ela é mais selvagem do que o “negociado sobre o legislado”, porque esconde o verdadeiro empregador, o verdadeiro beneficiado com a mão de obra. Acho que os capitalistas não imaginavam, no fim do século XIX e início do século XX, que arranjariam um artifício tão bem construído para enganar os trabalhadores.

    Hoje o mundo jurídico do trabalho apresenta algumas soluções intermediárias, como se pretendesse remediar os efeitos, tapar alguns buracos. Mas isso na verdade acaba abrindo as portas para o fenômeno.

    A súmula 331 do TST, de 1993, é o exemplo de uma solução intermediária. Ela admite a terceirização naquilo que é atividade meio e proíbe a atividade fim. A partir desse parâmetro os diversos operadores de direito têm se guiado. Eu reconheço a vontade política do TST de pôr um freio no problema. Mas ao mesmo tempo, abriu-se a porta larga para terceirização. E hoje o capital se acha tão forte que súmula já não resolve seu problema. Parte considerável do capital estabelecido no Brasil, nacional e estrangeiro, quer mais. Quer a possibilidade de se terceirizar em qualquer atividade, meio ou fim, e sem quaisquer limites. É definitivamente uma era da precarização absoluta. O que o PL 4330/04 pretende é ampliar os níveis de precarização e de miséria social.

    O PL 4330/04 é um retrocesso com relação à sumula 331?

    Sem dúvida. Tenho objeção total à súmula 331, mas o PL 4330/04 é um tapa na cara dos trabalhadores brasileiros e de suas organizações sindicais. É o escárnio. Se não é o fim do Direito do Trabalho, é o mais duro golpe que se pode proferir contra ele, na sua historia centenária. Nada mais grave foi praticado contra as relações de trabalho institucionalizadas desde o fim da escravidão.

    Por esse projeto, o Direito do Trabalho vai atuar de forma superficial sobre relações precarizadas, flexibilizadas, irrelevantes. Os empregadores vão se sentir à vontade para aumentar sua margem de lucro e fugir da responsabilidade que é inerente à relação entre capital e trabalho: a tensão social. Eles transferem essa tensão, de forma muito diluída, a um terceiro que não reúne condições econômicas, financeiras ou políticas de suportar qualquer pressão.

    A súmula 331, para o senhor, já era um retrocesso com relação ao enunciado 256?

    Sim. A súmula 331 é de um momento em que o trabalho começou a se fragilizar, e a terceirização a ganhar força. Alguns entendiam que era uma realidade inevitável. Não era mais aquele quadro dos anos 80. O TST, tentando se aproximar de uma dura realidade, alterou sua jurisprudência. Percebendo a correlação de forças entre capital e trabalho e vendo aquele fenômeno se alargar cada vez mais tentou por um freio. E, como disse, esse freio acabou abrindo um pouco mais a janela da terceirização.

    Mas esse projeto que aí está, o PL 4330/04, é algo sem precedentes. A súmula 331, frente ao PL 4330/04, vira uma referência de proteção. Quando na verdade não é.Qual é o ponto mais grave do PL 4330/04? 

    É a abertura larga, sem freios e sem limites, da terceirização. É a terceirização em qualquer segmento, em qualquer atividade e sem nenhum limite quantitativo. Há outros aspectos graves, mas esse que permite terceirizar em tudo, em qualquer segmento ou atividade econômica é o central. É o mais nocivo do projeto.

    É possível fazer uma distinção clara entre atividade meio e atividade fim?

    Não, não é fácil. Embora a súmula 331 faça a distinção, ela não conceitua o que é atividade fim e o que é atividade meio. Mas a Justiça do Trabalho tem atuado, majoritariamente, com critérios e certa rigidez que não permite uma terceirização tão ampla como esta que se propõe.

    Não tenho dúvidas de que esse projeto, que tramita no congresso nacional há quase dez anos, ganhou força nos últimos tempos porque setores do capital já não toleram mais a sumula 331, querem mais do que isso. Se sentem incomodados com as interpretações proferidas por juízes e tribunais acerca dos limites da terceirização. O projeto foi retirado da gaveta em um movimento intenso do capital e do seu lobby.

    Alguns defensores da PL 4330/04 afirmam que ele é necessário em face da realidade brasileira, onde a terceirização é cada vez maior. Qual a sua opinião sobre isso?

    O fato de ter aumentado o número de terceirizados não significa que tenhamos que ter uma legislação para isso. O PL 4330/04 acaba por legitimar esse quadro. Eu acho que existem repostas políticas e jurídicas para resolver o problema. Esse projeto agrava a situação. Falsamente se diz que o projeto vai resolver o problema de 16, 20 milhões de terceirizados. É falso. Vai agravar a situação. Vai reduzir o salário desses 20 milhões e colocar mais 40 ou 50 milhões nesse mesmo quadro. Não vai resolver absolutamente nada, o projeto é uma falácia. É muito bom para o setor empresarial que faz uso da terceirização. Não tenha dúvida. É espetacular para todos que querem reduzir os seus custos e sua responsabilidade social.

    Qual seria a reposta adequada do Judiciário para a terceirização?

    O Judiciário tem que refletir. Eu sei que ele é composto de homens e mulheres das mais variadas tendências ideológicas, e é natural que assim o seja. E com essas diversas tendências a Justiça do Trabalho tem dado respostas. De algum modo tem impedido a consumação de uma terceirização sem limites. Já é alguma coisa.

    Na minha compreensão, deveríamos ir além. Deveríamos avançar no sentido de vetar a terceirização. Nesse ponto sou voz minoritária. Mas acho que, na medida do possível, a Justiça do Trabalho tem atuado de forma eficaz para evitar a propagação desse fenômeno econômico absurdamente terrível para a democracia no país.

    Fonte: texto e foto de Guilherme Villa Verde (Secom/TRT4)

  • Tudo em Campinas pode ser privatizado a começar pela sua saúde

    Tudo em Campinas pode ser privatizado a começar pela sua saúde

    Fonte: Observatório de Gestão Pública do Trabalhador

    A saúde de Campinas está na UTI. São graves os problemas estruturais, de gestão, e falta investimento. O governo de Jonas Donizette (PSB) opta por não investir na saúde, sucateia todo o sistema, para assim, justificar a entrega de hospitais para a iniciativa privada. Já foi publicado no Diário Oficial em 12 de março o edital de privatização da farmácia e área de suprimentos do Hospital Municipal Mário Gatti.

    A desculpa é de que haverá melhorias mas, na verdade, se observarmos experiências parecidas, sabemos que a privatização favorece apenas as empresas que colocam os os pacientes e hospitais em segundo plano.

    Temendo a publicação deste edital os trabalhadores do Mário Gatti há dias têm se mobilizado e feito protestos. Durante os dias 09, 10 e 11 de março, para chamar a atenção da imprensa, poder público e da população em geral, eles decidiram não fazer horas extras. Profissionais de todas as áreas do hospital afirmam que a situação é grave, vários setores trabalham no limite, com equipamentos sucateados e se mostram contra a terceirização da farmácia e consequente privatização dos demais setores como alternativa à crise instaurada.

    hospital

    A pedido da Comissão de Saúde da Câmara, no dia 11 de março, o presidente do Hospital Mário Gatti, Marcos Eurípedes Pimenta, foi convidado a esclarecer aos parlamentares e público presente, o porquê do processo de terceirização da farmácia e da instalação do ponto eletrônico no hospital. O fato é que Pimenta fez uma apresentação institucional do hospital e pouco falou sobre esses dois temas. Pimenta somente afirmou que a terceirização da farmácia da unidade hospitalar e a adoção do ponto eletrônico são duas medidas irreversíveis. A população, médicos e outros profissionais de saúde que foram à Câmara, praticamente não tiveram tempo para fazer perguntas ao presidente do Mário Gatti.

    Segundo o Conselho Municipal de Saúde, o ponto eletrônico vai impor uma nova jornada de trabalho, menos flexível e que pode acarretar consequências na prestação dos serviços que não funcionam dentro de uma grade horária fixa. Além disso, o Conselho não foi ouvido sobre essa mudança e acredita que a garantia de direitos como o pagamento de horas extras, não está assegurado com esta medida.

    mariogatti

    A posição do governo é tão autoritária a favor das privatizações que no dia(11/03), Jonas Donizette (PSB) enviou para a Câmara de Vereadores um projeto de lei que autoriza a administração municipal a terceirizar serviços nas áreas de saúde, cultura e esportes. A proposta, que deverá ser analisada em regime de urgência já está dando o que falar no legislativo Campineiro. Ela irá adotar as OSs (Organizações Sociais), entidades privadas para desenvolverem projetos que hoje são estritamente de responsabilidade do poder público. Em Campinas, o projeto das OSs já funciona no Hospital Municipal Ouro Verde que é administrado pela entidade privada SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

    Vale destacar que em pouco tempo o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS) constatou várias irregularidades no convênio entre a Prefeitura de Campinas e a SPDM. Segundo o relatório, a mais grave irregularidade é que a empresa SPDM recebeu indevidamente R$ 1.299.991,41 da prefeitura, utilizados fora do objeto do convênio (ex: hospedagem, jardinagem, locação de veículos) ou pagos fora da vigência dele.

    No Brasil temos vários exemplos de hospitais terceirizados e a realidade é que a entidade sempre fica aquém do que poderia atender e profissionais se sentem desvalorizados. Será que a administração de Campinas não pesquisou isso antes de “vender” nossos hospitais? Ao que tudo parece os interesses financeiros por detrás dessas transações milionárias tem falado mais alto.

    Se Campinas for realmente ter hospitais, cultura e a área de esportes privatizados podemos esperar sempre menos. Afinal uma empresa sempre administra algo visando o lucro em primeiro lugar e não prima pela qualidade dos serviços e satisfação do público. Essa medida do governo Jonas (PSB) acarreta na desvalorização do bem público, que é de todos nós, dificulta a geração de empregos e piora a qualidade na prestação dos serviços. Jonas Donizette tem se mostrado um prefeito privatizador, para infelicidade da população.

  • CUBA: desafios e perspectivas

    CUBA: desafios e perspectivas

    O cubano Ramon Cardona, secretário da Federação Sindical Mundial (FSM) na América Latina e Caribe, e integrante da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), veio ao Brasil a convite da Intersindical (Central Sindical) para participar do encontro nacional nos dias 27 e 28 de fevereiro em Valinhos. Aproveitando a visita, ele se dispôs a conversar sobre Cuba, país que tem uma história importantíssima nas conjunturas política e econômica mundial. O encontro foi no Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas.

    O debate teve a participação de Arlei Medeiros, diretor dos Químicos Unificados e coord. do Observatório de Gestão Pública do Trabalhador, do vereador Paulo Bufalo (PSoL Campinas), da socióloga  e coord. do Instituto Voz Ativa, Marcela Moreira, do coord. Nacional da Intersindical Ricardo Saraiva “Big” e do presidente do Congeapa, Rafael Moya. Além dos e estudantes, trabalhadores e profissionais liberais que fizeram muitas perguntas à Ramon.

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    Ramon Cardona iniciou dizendo que: a FSM agrupa todos aqueles que defendem de verdade aos interesses dos trabalhadores. A Federação Mundial tem um plano internacional de defesa dos direitos dos trabalhadores e forma um destacamento de vanguarda com representantes sindicais. O capitalismo precisa de lucro a todo custo para sobreviver. Para isso, tem que explorar os trabalhadores cada vez mais vigorosamente. Como consequência, poucos detêm muitas riquezas e milhares têm pouca renda. O resultado é desemprego mundial. Na Espanha 50% estão desempregados, o mesmo acontece na Itália, Portugal, Grécia, América Latina.

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    Temas como América Latina, programa Mais Médicos, a educação em Cuba e a construção do Porto de Mariel em parceria com o Brasil, foram debatidos. Cardona ressaltou que é errônea a ideia de que o Brasil deu dinheiro a Cuba. “ Foi feito um convênio e Cuba vai pagar ao Brasil. Não é um “regalo”.  O porto é fundamental para o desenvolvimento de Cuba”, disse Ramon.

    Bloqueio ainda existe, relações Cuba X EUA e América Latina

    Cardona fez questão de frisar que o bloqueio é um genocídio, não existe nenhum outro no mundo que durou 53 anos. A vontade de negociar dos norte-americanos é bem-vinda. Mas o que se está fazendo é mudando a tática, mas mantendo a estratégia. A estratégia continua sendo destruir a soberania e a liberdade conquistada pelo povo cubano após a revolução socialista.

    “Os ianques (norte-americanos), para dizer que o bloqueio acabou, facilitaram a entrada de produtos cubanos, mas apenas aqueles que foram produzidos por setores privados. No entanto, os produtos produzidos pelo estado cubano estão proibidos, com objetivo de incentivar a privatização e destruir o Estado Socialista de dentro para fora. A abertura das relações diplomáticas é outra tática para estar dentro de Cuba e tentar minar a soberania. Porém o povo cubano está preparado para enfrentar essa manipulação”, encerra Cardona.

  • Tsipras: “O veredito do povo grego significa o fim da troika”

    Tsipras: “O veredito do povo grego significa o fim da troika”

    Do PSOL Nacional, Leonor Costa, com Esquerda.net e Opera Mundi

    “É um sinal importante para uma Europa em mudança”, disse Alexis Tsipras, o principal líder do Syriza, diante de milhares de pessoas que se juntaram na praça em frente à Universidade de Atenas, após a confirmação da vitória do partido neste domingo (25), nas eleições gregas.

    “O veredito do povo grego significa o fim da troika, a estrutura de supervisão da economia da Grécia constituída pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional que desde 2010 avalia as medidas de austeridade impostas a troco de empréstimos de 240 mil milhões de euros.

    Tsipras, 40 anos, afirmou que “o povo deu um mandato claro” ao Syriza, “depois de cinco anos de humilhação” e assegurou que vai negociar com os credores uma “nova solução viável” para a Grécia.

    O partido anti-austeridade Syriza obteve uma clara vitória nas eleições gerais deste domingo na Grécia, elegendo 149 deputados, num total de 300 vagas. O partido conservador do então primeiro-ministro Antonis Samaras, da Nova Democracia, obteve 76 cadeiras.

    Faltando apenas duas vagas para ter a maioria absoluta do Parlamento grego e poder governar sem alianças com outros partidos, o Syriza recebeu nesta segunda-feira (26) o apoio dos Gregos Independentes para conseguir formar uma coalizão antiausteridade para governar o país.

    Em terceiro, ficou o partido neo-nazista de extrema-direita Aurora Dourada, com 18 representantes no Parlamento. O líder da legenda, Nikolaos Mihaloliakos, e diversas outras figuras do partido, estão ou presos ou sob custódia domiciliar.

    Na tarde desta segunda-feira (26), Alexis Tsipras prestou juramento perante o presidente da República grega, Karolos Papoulias, e se tornou oficialmente o primeiro-ministro da Grécia. Ele deve anunciar até quarta-feira (28) os nomes do novo Governo.

    Ainda estão previstos encontros de Alex Tsipras com Stavros Theodorakis, líder do To Potami, e Dimitris Koutsoumpas, secretário-geral do Partido Comunista Grego (KKE).

    Nova de era de democracia
    O Syriza contou com o apoio do PSOL e de vários partidos de esquerda da América Latina e da Europa. Sem dúvida a vitória do partido de Alexis Tsipras representará importantes mudanças para o povo não só da Grécia como de outros países da Europa, que vêm pagando um alto preço pelas medidas de austeridade do FMI e da União Europeia.

    Em nota, divulgada no dia 5 de janeiro, o PSOL reafirmou o seu apoio ao Syriza e considerou que sua vitória dará uma grande sacudida na política de ajuste que hoje se aplica em toda Europa, o que certamente terá repercussão em outros países, inclusive no Brasil. “Syriza, um partido irmão que como o nosso se opõe aos ajustes do governo, decretados pela Troika comandada por Angela Merkel (FMI, Banco Central Europeu e Comunidade Europeia), tem possibilidade de ganhar as próximas eleições. Se isso ocorrer, não mudará somente a situação grega”, afirmou a nota, assinada pela Secretaria de Relações Internacionais do partido. Leia a nota completa aqui.

    O PSOL também esteve presente na Grécia nos últimos dias que antecederam às eleições até este domingo, quando o partido de esquerda saiu vitorioso das unas. Juliano Medeiros, Secretário Nacional de Comunicação que representou o PSOL na Grécia, considera que a crise econômica europeia fortaleceu ou fez surgir novos atores políticos e sociais que não se submetem aos ditames do FMI ou da Comissão Europeia. “O surgimento do Podemos, na Espanha, e do Syriza, na Grécia; além do fortalecimento de partidos anticapitalistas na França, Portugal e Alemanha, faz parte de um renascimento da esquerda naquele continente. O PSOL se inspira nessas experiências para oferecer uma alternativa de esquerda, socialista e independente ao povo brasileiro. Por isso, estar ao lado desses partidos, prestando nossa solidariedade ao povo grego, é muito importante para o PSOL e para todos aqueles que acreditam numa verdadeira mudança de esquerda”, enfatiza.

    Para o deputado Chico Alencar (RJ), com a vitória da esquerda, as velhas e carcomidas formas de fazer política, que levaram a quase 60% da juventude grega ao desemprego e os pobres ao desespero, foram derrotadas. “Uma nova era de democracia de alta intensidade se abre, e não só para a Grécia!”, avalia, otimista, o deputado fluminense.

    Além de Juliano Medeiros, também esteve na Grécia para reafirmar o apoio do partido ao Syriza, o representante da Fundação Lauro Campos, Thiago Aguiar. Clique aqui e confira seus relatos durante os quatro dias que estiveram na Grécia.

     

  • O petróleo despenca, e a Arábia Saudita sorri

    O petróleo despenca, e a Arábia Saudita sorri

    O governo de Riad perde com a queda de preços, mas celebra instabilidade no Irã e teste à nova indústria petrolífera norte-americana
    por José Antonio Lima – Carta Capital

    Na terça-feira 6, o preço do petróleo nos mercados de Londres e Nova York, referências para o resto do mundo, ficou abaixo dos 52 dólares, menor valor desde 2009. A brusca queda recente, de 55% desde a metade de 2014, é resultado de uma oferta elevada, marcada por picos de produção na Rússia, no Iraque e nos Estados Unidos, e demanda comprimida pela lentidão das economias de China, Japão e países europeus. O cenário deveria provocar preocupação na Arábia Saudita, maior exportadora e dona da maior capacidade de produção de petróleo do mundo, mas a monarquia se mostra tranquila. A queda de preços é ruim para o governo saudita, mas pior para seu maior inimigo, o Irã, e serve para testar a força da crescente produção norte-americana, que causa apreensão em Riad por minimizar a dependência que Washington tem do petróleo saudita.

    Em 21 de dezembro, em reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na Áustria, a Arábia Saudita revelou sua serenidade com o tombo do preço do petróleo. Sem conseguir um acordo com países de fora do cartel, como a Rússia e o México, a Opep decidiu não reduzir suas metas de produção, o que faria a cotação do barril crescer. A opção pela regulação do preço a partir da lógica do mercado foi um afastamento da tradição da Opep, comandada pelos sauditas. Ao longo das últimas quatro décadas, o cartel petrolífero tirou e injetou barris no mercado sempre que os preços escaparam aos limites desejados, para cima ou para baixo. Desta vez, sem a mesma capacidade de influenciar o mercado, os sauditas aceitaram pagar para ver até onde a queda vai. O governo de Riad nega estar conspirando para prejudicar determinadas nações, mas parece óbvio que a família real observa o resultado de sua aposta com a expectativa de obter dividendos políticos.

    Não há dúvidas de que o petróleo em baixa prejudica a Arábia Saudita. A economia do país é pouco diversificada e muito dependente do setor petrolífero, responsável por 85% das exportações e 50% do PIB. Entre 2014 e 2015, a receita do petróleo deve cair 88%, sendo responsável por um déficit de 39 bilhões de dólares no orçamento saudita, o maior da história, o que acarretará cortes de gastos públicos e, possivelmente, alguma instabilidade política. Ainda assim, a Arábia Saudita pode suportar o baque – além de reservas monetárias de 750 bilhões de dólares, o País tem o menor custo de produção de petróleo no mundo, de cerca de cinco dólares por barril. Se cortasse sua produção sem uma combinação prévia com países de fora da Opep e promovesse a elevação do preço do petróleo, a Arábia Saudita poderia perder cotas de mercado. Foi isso o que ocorreu nos anos 1980, quando o barril foi vendido a menos de 10 dólares e os sauditas perderam clientes ao cortar sua própria produção, enquanto outros países mantiveram-na, vendendo seu petróleo por um preço mais baixo.

    Em um cenário de disputa por mercado, a Arábia Saudita poderia perder espaço para aliados, como os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, mas também para países que vê como rivais. Um deles é a Rússia, que segue apoiando o ditador sírio Bashar al-Assad, o qual os sauditas tentam derrubar. Outro é o Irã, visto como o maior inimigo da Arábia Saudita. Além de apoiar Assad, o regime iraniano, visto como ameaça existencial, contrapõe os interesses sauditas em quase todos os pontos nevrálgicos do Oriente Médio.

    O Irã como alvo

    A queda atual do preço do petróleo atinge duramente as ambições de Teerã em um momento sensível. No próximo dia 15, negociadores iranianos vão se encontrar novamente com emissários de Alemanha, China, EUA, França, Reino Unido e Rússia para tentar chegar a um acordo sobre o programa nuclear. A Arábia Saudita jamais apoiou o diálogo com o Irã – ao contrário, o país árabe faz lobby para que os Estados Unidos resolvam a questão por meios militares, bombardeando as instalações nucleares iranianas para “cortar a cabeça da cobra”. Sem condições de direcionar a política externa dos EUA, a Arábia Saudita trabalha para desestabilizar o Irã.

    O ímpeto pelo acordo nuclear é comandado por Hassan Rouhani, presidente do Irã. Rouhani trava uma batalha interna com setores linha-dura, contrários ao diálogo com os EUA, e tem vendido a ideia de que a solução para os graves problemas econômicos do país é o acordo nuclear e o fim das sanções impostas por EUA e Europa. Para manter o impulso pelo diálogo, Rouhani precisa de apoio popular e este depende significativamente da situação da economia. Após um acerto provisório com as potências em novembro de 2013, algumas sanções contra o Irã foram aliviadas. Isso facilitou a recuperação econômica do país, marcada pela reversão da recessão e pelo fim da alta da inflação, mas a diminuição do lucro do petróleo provocará um duro impacto nas contas iranianas. Metade das receitas do país é oriunda do setor petrolífero, e Teerã precisaria, segundo o FMI, de um barril cotado a 136 dólares para ter um orçamento balanceado. Com o petróleo vendido perto dos 50 dólares, as dificuldades serão tremendas. Por isso, a partir de março, entrará em vigor no Irã um orçamento bastante austero, com aumento de impostos e redução de subsídios para alimentos e combustível. São medidas impopulares, que podem erodir o apoio a Rouhani e dificultar o diálogo, exatamente o que os sauditas desejam.

    Os EUA como alvo

    Além de ver o sofrimento do Irã, a Arábia Saudita espera obter um segundo dividendo político-econômico com a brusca queda do preço do petróleo: testar a resiliência da produção norte-americana do petróleo de folhelho (shale oil, em inglês), uma rocha sedimentar que é explorada por meio de técnicas conhecidas como fratura hidráulica e perfuração horizontal. Nos últimos anos, essa indústria se desenvolveu de forma impressionante nos EUA.

    A revolução do folhelho é um fenômeno que dificilmente ocorreria em outro país que não os Estados Unidos. Graças a um sistema regulatório que permite um investimento rápido e a uma legislação que dá ao dono da terra (e não ao governo) os direitos de mineração, a produção nas formações de folhelho foi acelerada e hoje envolve 6 mil companhias diferentes disputando e aquecendo um mercado abastecido por 4 milhões de poços nos EUA. Neste cenário, a produção norte-americana de petróleo cresceu 60% desde 2008 e, até 2016, o país pode se tornar o maior produtor do mundo, ultrapassando a Arábia Saudita. Há tanto petróleo no mercado dos EUA que o país se tornou autossuficiente e, em junho, pela primeira vez em quatro décadas, o governo autorizou exportações de petróleo cru.

    O folhelho colocou Washington na rota de uma independência energética que preocupa os sauditas, pois poderia minar a antiga parceria entre os dois países, baseada na troca de segurança militar pela segurança energética. Para a Arábia Saudita, o preço baixo do petróleo pode ser um obstáculo para a novata indústria norte-americana, uma vez que a maioria dos milhares de empresários envolvidos na produção tem grandes dívidas, feitas para financiar o início da exploração.

    Está claro que a Arábia Saudita resolveu deixar arder um mercado em chamas. Encastelados em reservas gigantescas de petróleo e dólares e com a produção mais barata do mundo, os sauditas vão perder, mas menos do que seus rivais e até aliados. De quebra, vão ver alguns possíveis concorrentes saírem do mercado ou adiarem explorações consideradas demasiado caras, como no Ártico ou em águas profundas – caso do pré-sal da Petrobras, o que ajudar a explicar a queda nas ações da estatal brasileira.

    O conforto saudita com a depreciação acelerada do petróleo é tão grande que, em 22 de dezembro, o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, não colocou prazo para acabar com a estratégia de não interferir no mercado. Questionado pela CNN até quando seu governo manteria a produção constante, foi conciso: “para sempre”.

  • Cuba e EUA reestabelecem relações diplomáticas

    Cuba e EUA reestabelecem relações diplomáticas

    O presidente de Cuba, Raúl Castro, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciaram simultaneamente nesta quarta-feira (17), a retomada das relações diplomáticas entre os dois países e as medidas que serão tomadas para diminuir a distância entre eles.

    O anúncio foi feito ao mesmo tempo nos dois países e, ao que tudo indica, foi motivado pela libertação de três presos cubanos nos EUA em troca da soltura de um estadunidense que estava preso na ilha.

    Em seu pronunciamento, Raúl Castro afirmou que o reestabelecimento das relações “não quer dizer que o principal se resolveu: que é o bloqueio econômico, comercial e financeiro”. Além disso, ele pediu que o governo dos EUA remova os obstáculos que impedem o vínculo entre os dois povos, como a restrição a viagens, correio e telecomunicações. Segundo ele, a aproximação deverá se basear nos princípios do direito internacional e na Carta das Organização das Nações Unidas (ONU).

    cuba e eua

    Obama

    Obama, por sua vez, disse que a retomada do diálogo põe fim à “abordagem antiquada” dos EUA e afirmou ainda que as décadas passadas são prova de que o isolamento não funcionou. Obama anunciou também as medidas concretas que serão tomadas para a reaproximação: facilitação das viagens a Cuba, autorização parcial de vendas e exportação de bens e serviços, autorização para a importação de bens no valor de até U$ 400 e a melhoria do acesso de Cuba à telecomunicação e internet.

    “Hoje a América escolhe se soltar das amarras do passado, de modo a alcançar um futuro melhor, para o povo cubano, para o povo americano, para todo o nosso hemisfério, e para o mundo”, afirmou. E chegou a dizer, em espanhol: “Todos somos americanos”.

    Cuba sofre há mais de 50 anos com o embargo econômico imposto pelos EUA em 1961, dois anos após a revolução derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista, quando foram cortadas as relações diplomáticas.

    Troca de presos

    Pouco antes do aúncio histórico, Cuba havia libertado o estadunidense Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos por espionagem. Em troca, Washington libertou os últimos três dos Cinco Cubanos presos nos EUA, também acusados de espionagem. A libertação dos presos foi a primeira ação na mudança das relações EUA-Cuba desde a imposição do embargo.

    * Com Informações do Opera Mundi e Telesur

    Fonte: Caros Amigos

  • Conheça e acesse o relatório final da CNV

    Conheça e acesse o relatório final da CNV

    O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi entregue hoje em cerimônia oficial no Palácio do Planalto à presidenta Dilma Rousseff. Dividido em três volumes, o relatório é o resultado de dois anos e sete meses de trabalho da Comissão Nacional da Verdade, criada pela lei 12528/2011.

    Instalada em maio de 2012, a CNV foi criada para apurar e esclarecer, indicando as circunstâncias e a autoria, as graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988 (o período entre as duas últimas constituições democráticas brasileiras) com o objetivo de efetivar o direito à memória e a verdade histórica e promover a reconciliação nacional.

    Acesse em: